Riscos de um BPO focado apenas em volume, não em experiência

Introdução

O mercado de BPO (Business Process Outsourcing) evoluiu de forma acelerada nos últimos anos. Inicialmente, o modelo era associado principalmente à redução de custos e ao ganho de escala. No entanto, com consumidores mais exigentes e canais digitais cada vez mais presentes, essa lógica passou a ser insuficiente.

Atualmente, empresas que mantêm operações de BPO focadas apenas em volume isto é, no número de atendimentos realizados por hora ou por agente enfrentam riscos significativos. Isso ocorre porque produtividade sem qualidade gera consequências diretas na percepção da marca, nos indicadores financeiros e na sustentabilidade do negócio.

Portanto, entender esses riscos é essencial para qualquer organização que deseja crescer sem comprometer a experiência do cliente.

BPO e o foco tradicional em volume

Historicamente, muitos contratos de BPO foram estruturados com base em métricas operacionais, como:

  • Quantidade de chamadas atendidas;
  • Tempo médio de atendimento (TMA);
  • Número de tickets resolvidos por agente;
  • Custos por contato.

Esses indicadores são relevantes. Contudo, quando se tornam o único parâmetro de sucesso, criam um ambiente de pressão excessiva por velocidade. Como resultado, os atendimentos tendem a ser mais superficiais, menos empáticos e pouco resolutivos.

Além disso, agentes que precisam encerrar contatos rapidamente não conseguem investigar a causa real dos problemas. Dessa forma, a empresa até “bate meta de volume”, mas falha na resolução definitiva.

Risco 1: aumento do retrabalho e do custo oculto

À primeira vista, um BPO orientado apenas por volume parece eficiente. Entretanto, esse modelo costuma gerar um fenômeno silencioso: o retrabalho.

Segundo dados da Zendesk Customer Experience Trends, mais de 70% dos consumidores afirmam que deixam de comprar novamente após uma experiência ruim de atendimento. Além disso, estudos do setor de CX indicam que atendimentos mal resolvidos aumentam em até 40% o número de contatos repetidos.

Ou seja, quando o foco está apenas em quantidade, os problemas retornam. Consequentemente:

  • O custo por cliente aumenta;
  • A operação fica mais sobrecarregada;
  • A produtividade real cai, mesmo que o volume aparente seja alto.

Portanto, o ganho de curto prazo se transforma em prejuízo estrutural.

Risco 2: deterioração da experiência do cliente

A experiência do cliente é construída em cada interação. Quando o atendimento é apressado, robótico ou inconsistente, o impacto é imediato.

De acordo com dados da PwC, 32% dos consumidores abandonam uma marca após apenas uma experiência negativa. Além disso, a mesma pesquisa mostra que mais de 70% dos clientes esperam que empresas entendam suas necessidades de forma contextualizada.

No entanto, um BPO focado apenas em volume:

  • Limita a personalização;
  • Reduz a escuta ativa;
  • Prioriza encerramento rápido, não resolução completa.

Como resultado, o cliente se sente tratado como número, não como pessoa. E isso afeta diretamente a reputação da marca.

Risco 3: desgaste da equipe e alta rotatividade

Outro ponto crítico está dentro da operação. Quando o BPO é orientado exclusivamente por metas quantitativas, os agentes trabalham sob pressão constante.

Segundo pesquisas do setor de contact center, operações baseadas apenas em produtividade apresentam índices de turnover superiores a 35% ao ano. Isso ocorre porque:

  • Falta senso de propósito no trabalho;
  • O agente não vê valor na interação;
  • O erro é penalizado, mas o bom atendimento não é reconhecido.

Consequentemente, a empresa perde talentos, aumenta custos de treinamento e compromete a consistência do serviço.

BPO e experiência: métricas que precisam andar juntas

Para reduzir riscos, o BPO precisa evoluir para um modelo que combine eficiência operacional com qualidade percebida. Isso significa equilibrar métricas como:

  • Volume de atendimentos;
  • Tempo médio de resposta;
  • CSAT (Customer Satisfaction Score);
  • NPS (Net Promoter Score);
  • FCR (First Contact Resolution).

Ou seja, não se trata de abandonar produtividade, mas de integrá-la à experiência.

Risco 4: impacto direto na receita e na retenção

Experiência ruim não é apenas um problema de imagem é um problema financeiro.

Dados da Bain & Company mostram que um aumento de 5% na retenção de clientes pode gerar até 25% mais lucro. Por outro lado, clientes insatisfeitos tendem a:

  • Cancelar contratos;
  • Reduzir compras;
  • Compartilhar experiências negativas.

Quando o BPO opera sem foco em experiência, ele passa a atuar como um centro de custo, não como um motor de valor.

BPO focado apenas em volume gera visão míope do negócio

Outro risco importante é a limitação estratégica. Um BPO orientado por volume não gera inteligência de dados. Ele responde, mas não aprende.

Sem análise de jornada, sem categorização adequada e sem feedback estruturado, a empresa perde a oportunidade de:

Assim, a operação se torna reativa, em vez de estratégica.

Como transformar o modelo de BPO em um pilar de experiência

Para evitar os riscos citados, empresas precisam repensar seu modelo de BPO. Algumas ações são fundamentais:

1. Redefinir indicadores de sucesso

Volume deve ser acompanhado por qualidade. Métricas de CX precisam ter peso real nos contratos e na gestão.

2. Investir em capacitação

Agentes precisam ser treinados para resolver problemas, não apenas seguir scripts.

3. Usar tecnologia como aliada

Ferramentas de CRM, automação e IA permitem personalizar atendimentos sem perder escala.

4. Integrar operação e estratégia

O BPO deve fornecer insights para áreas de produto, marketing e vendas.

BPO orientado à experiência é vantagem competitiva

Empresas que tratam o BPO como parte da jornada do cliente conseguem:

  • Reduzir churn;
  • Aumentar satisfação;
  • Elevar valor percebido da marca;
  • Gerar diferenciação em mercados comoditizados.

Além disso, passam a enxergar o atendimento como ativo estratégico, não apenas como obrigação operacional.

Conclusão: volume sem experiência é risco, não eficiência

Em um mercado cada vez mais competitivo, manter um BPO focado apenas em volume é uma estratégia arriscada. Embora números elevados de atendimentos possam parecer positivos, eles escondem custos, desgaste humano e perda de valor.

Por outro lado, quando o BPO é orientado também pela experiência, ele se transforma em uma alavanca de crescimento sustentável.

Portanto, o verdadeiro desafio não é atender mais, mas atender melhor — e com inteligência.

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